O Caminho da Vida
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.
A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido."
(O Último discurso, do filme O Grande Ditador)
Charles Chaplin
Penso que fomos induzidos e compelidos pela Ordem Cósmica a perda real da nossa essência na sua forma mais simples e/ou complexa. Entendo, e nisto concordo com Charles Darwin, que a seleção natural das espécies nos transformou em homens intentando o status de Deus, quando, em verdade, sempre estivemos na esfera onde as disputas pela sobrevivência não tinham valor intrínseco pelo fato do desconhecimento da mortalidade ou, melhor dizendo, da Lei, universalmente válida, da Impermanência. Assim, com o advento desta percepção de pseudo finitude, abrimos mão da tranquilidade e confiança inerente e pertinente aquilo que realmente somos (Deuses Progressivos) frente aos Desígnios Cósmicos sob os quais somos, com efeito, apenas Eventos Caóticos..
Acredito que os nossos ancestrais, nos primórdios dos tempos, viviam em harmônica conexão com o Todo Cósmico. Logo, a ausência de sentimentos de menor valor eram supridos pela completa interação e integração onde as partes não percebiam o mundo com a individualidade pertinente ao que hoje se classifica em Teoria do Conhecimento com "Sujeito Observador" e "Objeto de Perscrutação". Ou seja, para os teóricos do conhecer e pensar, tudo que está fora de mim, "Sujeito Observador", constitui "Objeto de Perscrutação". Logo, você em mim é, por certo, uma imagem interiorizada que leva muito da minha "persona", proibindo e inviabilizando uma comunhão energética onde um e outro interagem por vias racionais e não racionais. Tal ideia, até interessante enquanto teoria, torna-se imprópria quando percebemos que somos mais que uma simples "consciência racional". Para tanto, basta observarmos a captação da nossa energia em um simples exame cardiográfico, eletro encéfalo gráfico ou outros tantos. Sendo assim, se hoje nos desligamos do Todo para nos sentirmos parte individual e autônoma, obviamente sob a indução da Ordem que, como Lei, é fator determinante, passamos a desenvolver mecanismos de defesa já que "estamos" e nos sentimos individualmente sozinhos na vastidão incompreensível do universo. Obviamente, sem mencionar a curtíssima percepção imposta pelo racionalismo cartesiano. Nestes termos, vivemos momentos difíceis, onde, para nós, dois caminhos se apresentam: ou nos entregamos ao "maya" (ilusão), ou optamos por abrir mão deste grande obstáculo para podermos nos dissociar e desapegar das magníficas seduções sensoriais e, de modo simples como as coisas são, buscarmos a "Religação" com a Iluminação. Este, por certo, constitui o verdadeiro sentido da palavra Religião, palavra esta derivada do latim (Religare) que representa e significa a reaproximação e a religação com o Divino que, em síntese e aludindo o grande pensador, Platão, nos conduz ao Bom, ao Belo e ao Justo.

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