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terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Cinema além do entreter.


No nosso pequeno universo social conto com alguns conhecidos que, vez por outra, dividimos o status de amantes da sétima arte. Logo, há de se entender que divergências ocorrem, tanto em razão do gosto individual, quanto em decorrência do grau de conhecimento, muitas vezes técnico, que nos diferem. Sendo assim, as nossas conversações me fazem refletir acerca dos argumentos utilizados por alguns destes cinéfilos, sobretudo aqueles com formação acadêmica na área, onde, para eles, sempre existem predileções acerca de filmes e/ou diretores que enalteceram e perpetuaram movimentos sociais, políticos e, sobretudo, culturais através das suas obras, a exemplo de: Roberto Rosselini, Luchino Visconti e Vittorio De Sica, grandes cineastas do passado. Obviamente, se cito três diretores italianos integrantes do movimento cultural denominado Neorrealismo italiano (que encontrou a sua forma de expressão mais representativa no cinema) é, sem dúvida, pela grande admiração que dispenso ao movimento em si e, por entender que estes grandes mestres quantificaram com qualidade, cultura e informação, aquilo que é, essencialmente, entretenimento de massa. Todavia, o meu embate junto aos colegas que tenho a honra de discordar, prende-se ao fato de que, hoje, temos que acompanhar os processos evolutivos através das obras dos discípulos, admiradores e seguidores destes fantásticos precursores para não ficarmos presos a uma eterna revisita a “I Bambini Ci Gurdano” (As Crianças Estão Assistindo) ou “Ladri di Biciclette” (Ladrões de Bicicleta), este último, Ladrões de Bicicleta (Vittorio De Sica), por mim assistido mais de uma dezena de vezes e considerado, também por mim, o mais perfeito filme da história, em razão de ser a expressão máxima do movimento Neorrealista italiano que, para quem não sabe, consiste no uso abusivo da realidade inserida em uma peça ficcional, sugerindo até, em algumas passagens e cenas, a possibilidade de um “filme documentário”, traduzindo a realidade social, econômica, política e cultural de uma época, no caso, a Itália do pós-guerra. Assim sendo, como técnica enfática, todos os fatores já mencionados são emoldurados por uma indução magistral à emoção através do uso, quase obrigatório, da criança como ponte ótica entre espectadores e enredo. Por conseguinte, os espectadores adultos, assumem a condição de partípices infantis do contexto sem a censura instintiva e defensiva inerente aos “maduros”, que tendem a distorcer a realidade visando amenizar os processos de identificação com a crueza humana contida nos desajustes sociais. Todavia, apesar da minha identificação pessoal, reconheço que temos obras cinematográficas muito mais recentes, qualitativamente tão boas, contendo todos os componentes do Neorrealismo italiano e, em alinho e adequação com novos recursos tecnológicos que só enaltecem a obra e, essencialmente, por traduzir a realidade social, econômica, política e cultural de nossa época, mesmo que o foco geográfico ainda seja a Itália. Este é o caso de “Nuevo Cinema Paradiso” (Cinema Paradiso), do então (1988), jovem diretor, Giuseppe Tornatorre, que encantou o mundo com um espetáculo de sensibilidade, embalado pela magnífica trilha sonora de Ennio Morricone, além de usar todas as técnicas que dispunha em tributo a Vittorio De Sica. Resultado, Oscar de melhor filme estrangeiro. Posteriormente, em uma linha bem diferente, o senhor Giuseppe Tornatorre dirigiu “La Sconosciuta” (A Desconhecida) que consiste em um drama, relativamente pesado, com cenas fortes em razão do tema, porém terno, muito terno. Enfim, conhecer a origem das coisas não determina que sejamos obrigados a nos prender a elas, muito pelo contrário, origem é indicativo de caminho, gostos e tendências.
Um discípulo apaixonado é, potencialmente, um mestre.

Herbert

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Como Vejo.

O Caminho da Vida

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido."

(O Último discurso, do filme O Grande Ditador)
Charles Chaplin

Penso que fomos induzidos e compelidos pela Ordem Cósmica a perda real da nossa essência na sua forma mais simples e/ou complexa. Entendo, e nisto concordo com Charles Darwin, que a seleção natural das espécies nos transformou em homens intentando o status de Deus, quando, em verdade, sempre estivemos na esfera onde as disputas pela sobrevivência não tinham valor intrínseco pelo fato do desconhecimento da mortalidade ou, melhor dizendo, da Lei, universalmente válida, da Impermanência. Assim, com o advento desta percepção de pseudo finitude, abrimos mão da tranquilidade e confiança inerente e pertinente aquilo que realmente somos (Deuses Progressivos) frente aos Desígnios Cósmicos sob os quais somos, com efeito, apenas Eventos Caóticos..

Acredito que os nossos ancestrais, nos primórdios dos tempos, viviam em harmônica conexão com o Todo Cósmico. Logo, a ausência de sentimentos de menor valor eram supridos pela completa interação e integração onde as partes não percebiam o mundo com a individualidade pertinente ao que hoje se classifica em Teoria do Conhecimento com "Sujeito Observador" e "Objeto de Perscrutação". Ou seja, para os teóricos do conhecer e pensar, tudo que está fora de mim, "Sujeito Observador", constitui "Objeto de Perscrutação". Logo, você em mim é, por certo, uma imagem interiorizada que leva muito da minha "persona", proibindo e inviabilizando uma comunhão energética onde um e outro interagem por vias racionais e não racionais. Tal ideia, até interessante enquanto teoria, torna-se imprópria quando percebemos que somos mais que uma simples "consciência racional". Para tanto, basta observarmos a captação da nossa energia em um simples exame cardiográfico, eletro encéfalo gráfico ou outros tantos. Sendo assim, se hoje nos desligamos do Todo para nos sentirmos parte individual e autônoma, obviamente sob a indução da Ordem que, como Lei, é fator determinante, passamos a desenvolver mecanismos de defesa já que "estamos" e nos sentimos individualmente sozinhos na vastidão incompreensível do universo. Obviamente, sem mencionar a curtíssima percepção imposta pelo racionalismo cartesiano. Nestes termos, vivemos momentos difíceis, onde, para nós, dois caminhos se apresentam: ou nos entregamos ao "maya" (ilusão), ou optamos por abrir mão deste grande obstáculo para podermos nos dissociar e desapegar das magníficas seduções sensoriais e, de modo simples como as coisas são, buscarmos a "Religação" com a Iluminação. Este, por certo, constitui o verdadeiro sentido da palavra Religião, palavra esta derivada do latim (Religare) que representa e significa a reaproximação e a religação com o Divino que, em síntese e aludindo o grande pensador, Platão, nos conduz ao Bom, ao Belo e ao Justo.